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'Me sinto lesada', diz mulher que pagou R$ 2 mil por procedimento estético com falso médico preso

Falso médico compartilhava procedimentos nas redes sociais. A manicure Izadora Trindade, de 38 anos, foi uma das pessoas submetidas a procedimentos estéticos ...

'Me sinto lesada', diz mulher que pagou R$ 2 mil por procedimento estético com falso médico preso
'Me sinto lesada', diz mulher que pagou R$ 2 mil por procedimento estético com falso médico preso (Foto: Reprodução)

Falso médico compartilhava procedimentos nas redes sociais. A manicure Izadora Trindade, de 38 anos, foi uma das pessoas submetidas a procedimentos estéticos com Matheus Ricardo, preso após se passar por médico em Guarujá, no litoral de São Paulo. Ao g1, a mulher relatou que se sente "lesada" por ter confiado no homem. Segundo a TV Tribuna, afiliada da Globo, a Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) cumpriu mandados de busca e apreensão nas clínicas onde Matheus atuava, em Santos e Guarujá. Nos locais, foram apreendidos medicamentos, seringas e outros utensílios utilizados por ele. Em nota, a advogada Karina França, que representa Matheus, repudiou qualquer julgamento antecipado e ressaltou que eventuais irregularidades administrativas, se existentes, não podem ser confundidas com práticas criminosas de alta gravidade (veja o posicionamento completo adiante). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Izadora afirmou que foi convidada para ser "paciente modelo", com a promessa de reduzir gordura localizada por meio de endolaser. Ela contou que, no entanto, não obteve o resultado esperado com o procedimento realizado no dia 13 de novembro de 2025. De acordo com ela, o valor cobrado foi de R$ 2 mil parcelado em até 12 vezes — quantia que ainda está sendo paga. A mulher relatou que conheceu Matheus por meio de anúncios nas redes sociais. O falso médico tinha mais de 20 mil seguidores em sua conta no Instagram, que foi excluída após ele ser preso. Izadora disse que acreditava que ele fosse um médico formado, já que era chamado de “doutor” na clínica. Falso médico publicava procedimentos nas redes sociais. Reprodução/Redes Sociais 'Enganada' Izadora relatou que o procedimento foi rápido e Matheus falou pouco durante o atendimento, o que fez com que ela o percebesse como desatento. “Foi o único contato que tive [com ele], depois não o vi mais”, disse. Ela reforçou que, à época, acreditou que Matheus atuava como médico cirurgião e não questionou a formação dele. “Ninguém faria um procedimento desse com alguém que não fosse capacitado”, acrescentou. Especialista Ao g1, a cirurgiã plástica Flávia Pacheco relatou que o principal risco de procedimentos realizados por profissionais não habilitados é o despreparo em reconhecer e tratar intercorrências. “Qualquer procedimento, por mais simples que pareça, possui riscos. Muitas vezes o profissional não habilitado desconhece ou ignora esses riscos e isso pode levar o paciente a ter complicações graves”, afirmou. Segundo ela, é possível verificar se o profissional está inscrito no Conselho Federal de Medicina (CRM) por meio de uma busca no site e também se ele possui Registro de Qualificação do Especialista (RQE). "Se você busca um cirurgião plástico, por exemplo, o RQE dele deve constar como cirurgião plástico”, explicou Flávia. A especialista também pontuou sinais de alerta após procedimentos estéticos, como dor intensa ou desproporcional, alterações na cor da pele, inchaço extremo, calor excessivo ou vermelhidão, febre, alterações visuais, paralisia ou diminuição importante da sensibilidade na região. Para a médica, as redes sociais contribuem para a criação de expectativas irreais nos casos de procedimentos estéticos. “Criaram a ilusão de resultados instantâneos e perfeitos, muitas vezes obtidos através de edição de fotos. Também agem como se houvesse risco zero, o que não é a realidade”, disse. Para o Conselho Federal de Medicina, o endolaser é considerado um procedimento invasivo, por atuar em planos profundos e, por isso, deve ser realizado por médico habilitado. Segundo a cirurgiã plástica, enfermeiros e dentistas, por exemplo, podem ser autorizados pelos próprios conselhos de classe a realizar esse tipo de procedimento. A polícia apreendeu utensílios e medicamentos (à esq.) utilizados por Mattheus Ricardo (à dir.). Polícia Civil e Redes Sociais Defesa de Matheus A advogada Karina França, que representa Matheus, informou que acompanha com serenidade os desdobramentos do caso recentemente divulgado. Segundo ela, os fatos vêm sendo tratados de forma precipitada, com conclusões que não correspondem à realidade técnica dos autos. A defesa acrescentou que confia na atuação do Poder Judiciário e acredita que, com a devida análise técnica e imparcial, ficará evidenciada a ausência de elementos que justifiquem as medidas adotadas até o momento. A advogada também repudiou qualquer julgamento antecipado e ressaltou que eventuais irregularidades administrativas, se existentes, não podem ser confundidas com práticas criminosas de alta gravidade. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos