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Familiares de MC Ryan vão à porta de presídio pedir liberdade para funkeiro após habeas corpus concedido pelo STJ

Familiares de MC Ryan SP exibem camiseta pedindo liberdade para o funkeiro na porta do CDP do Belém, na Zona Leste de São Paulo. Edu Araújo/Agnews Com camise...

Familiares de MC Ryan vão à porta de presídio pedir liberdade para funkeiro após habeas corpus concedido pelo STJ
Familiares de MC Ryan vão à porta de presídio pedir liberdade para funkeiro após habeas corpus concedido pelo STJ (Foto: Reprodução)

Familiares de MC Ryan SP exibem camiseta pedindo liberdade para o funkeiro na porta do CDP do Belém, na Zona Leste de São Paulo. Edu Araújo/Agnews Com camisetas pedindo a liberdade do funkeiro, a família de MC Ryan está no Centro de Detenção Provisória do Belém, na Zona Leste de São Paulo, aguardando uma possível soltura do cantor na tarde desta quinta-feira (23). MC Ryan teve uma habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas a Polícia Federal (PF) fez um novo pedido de prisão preventiva contra o artista. Também presente na porta do CDP Belém, o advogado de defesa de MC Ryan SP comentou a solicitação da PF de mais tempo de prisão e disse que "causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido". "Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida", afirmou. Familiares de MC Ryan SP exibem camiseta pedindo liberdade para outros presos da chamada 'Operação Narco Fluxo', da Polícia Federal. Edu Araújo/Agnews Nas camisetas dos familiares, parentes estampam frases como ‘Liberdade para MC Ryan SP’ e ‘MC não é bandido’. Eles também pedem a liberdade de outras pessoas presas durante a ‘Operação Narco Fluxo’, da Polícia Federal. Felipe Cassemiro, advogado de MC Ryan SP, no Centro de Detenção do Belém, na Zona Leste de São Paulo. Edu Araújo/Agnews STJ x PF Após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder habeas corpus, a Polícia Federal solicitou nesta quinta-feira (23) a prisão preventiva do MC Ryan SP, MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei e de outros investigados por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. 🔎 Segundo a investigação, o grupo é suspeito de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de bets ilegais, rifas clandestinas, tráfico internacional de drogas, uso de empresas de fachada, “laranjas”, criptomoedas e remessas ao exterior. Os alvos haviam sido presos temporariamente no último dia 15 em uma operação da Polícia Federal. No habeas corpus, o ministro Messod Azulay Neto, relator do caso no STJ, considerou ilegal o decreto de prisão temporária por 30 dias. Segundo ele, a própria Polícia Federal havia solicitado prazo de apenas cinco dias, período que já havia se encerrado. PF pede prisão preventiva de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e criador da Choquei Agora, com o avanço das investigações e a análise de provas apreendidas, como dispositivos eletrônicos, documentos e registros financeiros, a PF avalia que há elementos suficientes para a conversão das prisões temporárias em preventivas. Segundo a PF, a medida é necessária para garantir a ordem pública diante da gravidade do caso e do volume de recursos envolvidos. A PF também aponta risco de continuidade das atividades criminosas, além da possibilidade de interferência nas investigações, com destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados. O MC Ryan SP, o MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, dono do perfil ‘Choquei’, das Redes Sociais. Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais MC Ryan está no Centro de Detenção Provisória Belém, na Zona Leste de São Paulo. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária não informou quando ele será solto. Em nota, o advogado Felipe Cassimiro, que faz a defesa do MC Ryan SP, disse que a decisão reconhece a "ilegalidade das prisões de MC Ryan, Diogo 305 e dos demais investigados no âmbito da Operação Narco Fluxo" e que "a consequência natural e jurídica desta decisão é a revogação da prisão, medida que decorre diretamente da própria decisão ao ser reconhecido o erro no prazo fixado para a prisão temporária". O g1 tenta contato com a defesa de Poze do Rodo. Operação Narco Fluxo A Operação Narco Fluxo foi resultado de uma investigação que começou muito antes dos mandados de busca e prisão. Segundo a Polícia Federal, o ponto de partida foi a análise de arquivos armazenados no iCloud, sistema de armazenamento em nuvem da Apple, do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos durante uma operação anterior, a Narco Bet, que já era derivada da Operação Narco Vela, ambas deflagradas em 2025. O g1 reuniu o que se sabe sobre o caso até agora. Como a investigação começou? O que dizem as defesas? O que foi apreendido? Qual era o papel dos influenciadores? Quem eram os operadores do esquema? Qual seria o papel de MC Poze do Rodo no esquema? Qual seria o papel de MC Ryan SP no esquema? Por que o iCloud foi importante? De bets ilegais a contratos com influenciadores: como funcionava esquema que levou à prisão de MCs Ryan SP e Poze do Rodo, segundo a PF O que o iCloud armazena e como ele pode revelar a rotina do usuário Como a investigação começou? Da esquerda para direita, MC Ryan SP, Poze do Rodo e Rodrigo Morgado Reprodução/YouTube e Instagram A investigação atual nasceu de provas reunidas durante a Operação Narco Bet, de outubro de 2025, instaurada após a Narco Vela, de abril do mesmo ano. As operações apuravam lavagem de dinheiro ligada a apostas, tráfico internacional de drogas, grandes quantias em espécie, transferências bancárias e criptoativos. Segundo a decisão judicial, o núcleo de inteligência da PF analisou arquivos do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, identificado como contador e operador financeiro do grupo. A partir disso, os investigadores encontraram indícios de uma organização criminosa voltada à lavagem de capitais, com agentes responsáveis pela captação, internalização, custódia e redistribuição de dinheiro em espécie. Voltar ao índice. Como um backup no iCloud derrubou o esquema que levou à prisão de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo Por que o iCloud foi importante? Segundo investigadores, o material armazenado na nuvem permitiu cruzar extratos, comprovantes, conversas, registros societários, contratos, procurações e documentos financeiros. Na prática, o backup do iCloud virou uma espécie de “mapa” da organização criminosa. Foi a partir dele que a PF conseguiu identificar a relação entre operadores financeiros, empresas de fachada, influenciadores e artistas. Rodrigo depositava grande confiança na segurança digital do iCloud, o que acabou permitindo à Polícia Federal mapear a organização O próprio Rodrigo de Paula Morgado é apontado pela PF como peça-chave do grupo. Segundo a decisão, ele articulava transferências bancárias, auxiliava na proteção patrimonial de MC Ryan SP e fazia repasses em nome de terceiros, além de prestar serviços de gerenciamento financeiro, ocultação patrimonial e evasão fiscal. A Justiça autorizou, inclusive, novas apreensões de dados armazenados em nuvem, como iCloud e Google Drive, além de celulares, HDs, notebooks e smartphones, com acesso imediato aos conteúdos durante as buscas. Voltar ao índice. Funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo; e influencers Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira foram presos pela PF Reprodução/Redes sociais Operação da PF prende Mc Ryan SP e Poze do Rodo Qual seria o papel de MC Ryan SP no esquema? Segundo a decisão judicial, Ryan Santana dos Santos, nome de MC Ryan SP, foi identificado como líder e principal beneficiário econômico da engrenagem. A PF afirma que ele usava empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos de apostas ilegais e rifas digitais. Ainda segundo a investigação, Ryan teria montado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias para familiares e terceiros, além de usar operadores financeiros para afastar o dinheiro ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal. Segundo a PF, os recursos eram reinvestidos em imóveis, carros de luxo, joias e outros ativos de alto valor. A Justiça autorizou a apreensão de dinheiro em espécie acima de R$ 10 mil, joias, relógios, carros, motos, embarcações, aeronaves e outros itens de luxo encontrados com os investigados. Voltar ao índice. Qual seria o papel de MC Poze do Rodo no esquema? Segundo a decisão judicial, Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, nome de registro de MC Poze do Rodo, aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação de recursos oriundos de rifas digitais e apostas ilegais. A investigação aponta que ele integrava a engrenagem financeira da organização ao lado de outros operadores e empresas usadas para captar, fragmentar e redistribuir dinheiro. Uma das empresas ligadas ao funkeiro e incluídas na lista de bloqueios judiciais é a EMPOZE - Editora, Gravadora e Prestação de Serviços Ltda. Segundo a PF, Poze do Rodo foi preso em casa, em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, e pode responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. Voltar ao índice. Colar com imagem de Pablo Escobar e armas foram apreendidos pela PF contra MC Ryan SP e MC Poze do Rodo Divulgação/PF Quem eram os operadores do esquema? A investigação descreve uma estrutura com funções bem definidas. Tiago de Oliveira é apontado como braço-direito de MC Ryan SP, atuando como procurador e gestor financeiro do artista. Segundo a PF, ele centralizava recursos, redistribuía dinheiro a operadores e participava de negociações imobiliárias em favor do cantor. Alexandre Paula de Sousa Santos, conhecido como Belga ou Xandex, teria feito a ponte entre plataformas de apostas e empresas ligadas a Ryan, recebendo dinheiro de processadoras de pagamento e repassando os valores para o núcleo do grupo. A PF afirma que ele realizava centenas de transferências fracionadas, prática conhecida como “smurfing”. Outros investigados, como Arlindma Gomes dos Santos, Lucas Felipe Silva Martins e Sydney Wendemacher Junior, aparecem como operadores logísticos, “testas de ferro” e titulares formais de bens ligados ao cantor. Voltar ao índice. Como funcionava o esquema? Segundo a PF, o dinheiro tinha origem em bets ilegais, rifas clandestinas, estelionato digital e tráfico internacional de drogas. Os recursos eram pulverizados em várias contas bancárias para dificultar o rastreamento. Depois, passavam por operadores financeiros, empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e criptomoedas. A investigação aponta que o grupo usava técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como fracionamento de depósitos, contas de passagem, empresas de fachada, laranjas, holdings, triangulação de receitas, criptoativos e evasão de divisas. Segundo a Justiça, a organização operava com características de uma instituição financeira clandestina, usando mecanismos próprios de compensação, controle e registro. Voltar ao índice. À esquerda, MC Ryan SP, apontado como líder da organização criminosa; à dir., Raphael Sousa Oliveira, dono da 'Choquei' Reprodução/ Redes sociais Qual era o papel dos influenciadores? A PF afirma que influenciadores e páginas de grande alcance eram usados para divulgar apostas, rifas e melhorar a imagem pública do grupo. O influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, é apontado na decisão como operador de mídia da organização. Segundo a PF, ele recebia valores diretamente de Ryan, Tiago de Oliveira e José Ricardo dos Santos Junior para divulgar conteúdos favoráveis ao cantor, promover plataformas de apostas e rifas e atuar na mitigação de crises de imagem. Já a influenciadora Chrys Dias e outros nomes ligados a marketing digital aparecem na investigação como financiadores, divulgadores ou intermediários de valores oriundos de rifas digitais. Voltar ao índice. O que foi apreendido? Durante a operação, a PF apreendeu carros de luxo, relógios, joias, armas, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Um dos itens que mais chamou atenção foi um colar com a imagem de Pablo Escobar dentro do mapa do estado de São Paulo, encontrado na casa de MC Ryan SP. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores até R$ 1,63 bilhão, além do bloqueio de criptomoedas em corretoras como Foxbit, Mercado Bitcoin, Binance e Coinbase. Voltar ao índice. O que dizem as defesas? A defesa de MC Ryan SP afirmou que ainda não teve acesso aos autos, que correm sob sigilo, mas declarou que todas as transações financeiras do cantor são lícitas e possuem origem comprovada. Já a defesa de MC Poze do Rodo disse desconhecer o teor do mandado de prisão e afirmou que vai se manifestar na Justiça assim que tiver acesso ao processo. Voltar ao índice.